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Review | Elysium



O diretor Neill Blomkamp conseguiu atenção em Hollywood em seu ótimo filme de estreia, Distrito 9. O longa teve a produção de Peter Jackson, carregando uma longa lista de metáforas políticas e morais para um cenário de ficção científica, no qual a Terra vivia sob uma nuvem de uma grande nave extraterrestre. E ainda podemos ver que o apartheid fazia parte da cultura sul-africana e que o racismo e a segregação estavam longe de ter fim. Em seu novo filme, Elysium (2013), Blomkamp deixa de lado os Óvinis, mas mantem suas críticas políticas muito bem afiadas.

O filme se passa em meados do século XXII e o cenário é semelhante ao mostrado na animação Wall-E. Evidenciando o enorme lixão que o planeta Terra está se tornando, os humanos criaram um satélite artificial onde poderiam viver em paz com gramados bem aparados e belas cercas brancas, sempre cercados por pessoas bonitas esteticamente e é claro, saudáveis. Porém, o paraíso no qual eles vivem que dá nome ao filme tem um preço e logicamente nem todos conseguem pagá-lo. Sendo assim, podemos dizer que uma grande parte da população é deixada na Terra, sofrendo nas mãos dos ricos que controlam as fábricas e os robôs de diretrizes, que lembram muito os nazistas.




A cidade de Los Angeles no longa, se transformou em uma enorme favela, e quando a vemos, é como olhar "além da barricada" pela primeira vez. Assim como no Brasil, já que em nosso país a desigualdade é muito acentuada, por exemplo, assim que saímos de um condomínio de luxo, nós podemos nos deparar com uma grande favela próxima. E com uma jogada esperta, o elenco principal da Terra é composto por um mexicano Diego Luna, o sul-africano Sharlto Copley e os brasileiros Alice Braga e Wagner Moura, que em nenhum momento grita com Matt Damon afirmando que ele era moleque. Piadinhas a parte, vamos seguir em frente.

Nas entrevistas que li, os atores elogiaram o trabalho do diretor, que buscou pessoas que entediam bem o que era aquele mundo de pobreza onde as personagens se encontravam. Isso é uma das grandes jogadas de como formular em um mundo fictício o que realmente está acontecendo hoje e tudo isso é jogado em nossas caras, nos fazendo até mesmo, nos sentir culpados, por muitas vezes não fazermos nada para melhorar a situação.

O vínculo entre o protagonista e os espectadores é criado, quando acompanhamos Max (Damon) desde sua infância, no orfanato onde ele conhece a personagem de Alice Braga, assim podemos ver como era seu cotidiano e seu passado, e presenciar a grande reviravolta, quando este conhece Spider (Moura) para conseguir sobreviver. O Brasileiro faz um personagem que é uma mistura de dehacker, líder do submundo e "coyote", ajudando pessoas a tentarem entrar em Elysium. Moura conseguiu fugir de tudo que vinha fazendo no Brasil. Sua atuação foi alvo de elogios em diversas críticas e comentários.

Damon viveu um personagem dois-em-um. Antes de ser submetido a cirurgia que o transforma em um "ciborgue", ele era apenas um cara pobre, com senso de humor afiado. Ao bater nas portas da morte e virar um praticamente um RoboCop, do seu papel mais reconhecido nos cinemas, Jason Bourne. A mudança de personalidade pela qual a personagem principal passa é perceptível e aceitável, o único que saiu perdendo com isso foi o filme, que perdeu sua essência.



Em Elysium nos temos Delacourt (Jodie Foster), a personagem comanda a nave como uma ditadora. Ao perceber que a vida perfeita na nave está em risco, ela coloca em ação seu mercenário na Terra (Copley). E a ação começa, e também os problemas mais graves do longa começam a dar as caras. O filme praticamente só havia pecado nos problemas de som, principalmente com os personagens de Moura e Foster. Mas quando a trama foi levada à Elysium, as mudanças nos personagens e a enorme correria sem explicação não conseguiram se encaixar no que havia sido feito no começo do filme. E além de não ser bem vinda a reviravolta tirou de contexto a crítica social feita no filme. 




Neill Blomkamp conseguiu mais uma vez criar um cenário interessante e repleto de significados para depois, simplesmente, destruí-lo de uma forma que apenas Hollywood consegue. Os fãs de bons filmes de ação não tem do que reclamar, nem os de ficção científica, mas para quem, assim como eu esperava um filme muito mais politizado poderá se decepcionar com o final do filme. 

Mas sim, vale a pena ver Elysium nos cinemas, afinal o longa não deixa de ser um bom entretenimento.

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